autismo nas empresas

Autismo nas empresas: melhores abordagens para o TEA

29 março, 2024

No dia 2 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Pensando nisso, preparamos esse artigo para falar especialmente sobre o autismo nas empresas.

Afinal, saber como abordar o transtorno do espectro autista (TEA) nos ambientes corporativos é essencial para companhias que estão em busca de se tornar cada vez mais inclusivas, promovendo bem-estar, segurança, diversidade, conscientização e saúde aos seus colaboradores. 

Porém, ainda existem desafios que precisam ser enfrentados neste cenário. 

Para te ajudar a compreender melhor sobre esse tema, trouxemos alguns dados importantes sobre o autismo e conversamos com o Lucas Barbosa Napolitano de Moraes, Neurologista pediátrico, atuante no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, que nos trouxe informações relevantes sobre o TEA.

Acompanhe e tire todas as suas dúvidas!

TEA: dados sobre o transtorno do espectro autista

No Brasil, há uma grande ausência de dados atualizados sobre o transtorno do espectro autista. Para se ter uma ideia, os últimos dados conhecidos vêm de 2010, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) cita que, naquela época, o país contava com aproximadamente 2 milhões de casos de autismo

Já mais recentemente, um estudo feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (Center for Disease Control and Prevention – CDC), uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, revelou que, se na década de 1970 o número de diagnósticos de transtorno do espectro autista era de 1 para cada 10 mil crianças, em 1995 esse número já havia subido de 1 em cada mil. De lá para cá, a curva de crescimento seguiu acelerada, chegando a 1 caso a cada 44 pessoas em 2022.

Assim sendo, ao adaptar essa proporção para a população brasileira, o resultado seria de mais de 4 milhões de pessoas autistas no país. 

Aliás, para ilustrar esse aumento de casos registrados, podemos usar os dados divulgados pelo Censo Escolar do Brasil, que revelou que houve um aumento de 280% no número de estudantes com TEA matriculados em escolas públicas e particulares no entre 2017 e 2021.

Dessa forma, com o aumento de pessoas diagnosticadas no transtorno do espectro autista, é importante que tanto as escolas e universidades, assim como os ambientes corporativos, estejam preparados para receber pessoas autistas e/ou cuidadores de pessoas autistas em seu dia a dia. 

Por isso é tão importante saber mais sobre a melhor abordagem do autismo nas empresas.

Autismo nas empresas: enfrentando os desafios

O adulto com transtorno do espectro autista enfrenta não somente as dificuldades inatas ao TEA durante as tentativas de comunicação e socialização, mas também as condições de saúde que ocorrem na vida adulta e afetam diretamente o traquejo social, como a ansiedade e o transtorno depressivo.

Dessa forma, esses sintomas podem ter impacto na comunicação com colegas de trabalho ou superiores, exigindo paciência e compreensão por ambas as partes.

Por outro lado, os sintomas também afetam o conforto e o senso de segurança do autista quando ele está em ambientes que provocam conflitos com seus fascínios e apegos pessoais ou há a necessidade de realizar atividades que desafiam essas questões como, por exemplo: 

  • Exposição a barulhos específicos;
  • Padrões de organização incômodos ou falta de organização;
  • Mudanças súbitas da rotina de trabalho, entre outros. 

Mas como lidar de maneira adequada com o autismo nas empresas?

Estratégias eficazes para apoiar colaboradores com autismo nas empresas

A primeira e principal estratégia sempre será a educação em saúde. Ou seja, orientar a todos sobre o que é o transtorno e quais são as suas características, estimulando a compreensão e o respeito, promovendo a inclusão. 

A convivência também deve melhorar quando a empresa fomenta um ambiente de interações saudáveis e psiquicamente seguro, além de tomar medidas que respeitam as particularidades dos portadores do espectro, como:

  • Fornecer fones abafadores de ruídos com o objetivo de eliminar ou minimizar ruídos ambientais e sons específicos prejudiciais ao colaborador com TEA;
  • Garantir a manutenção de rotinas mais fixas e específicas de trabalho;
  • Utilizar de meios de comunicação alternativos facilitadores, como textos escritos ou exclusão de figuras de linguagem que podem ser mal compreendidas. Ou seja, utilizar uma linguagem mais literal;
  • Permitir a alocação de um espaço de trabalho bem delimitado, organizado e não invadido.

Porém, é sempre importante que as medidas sejam personalizadas de acordo com as necessidades do colaborador, visto as diversas apresentações do TEA. Ou seja, escutar e delinear junto ao funcionário o melhor plano de ação para o exercício saudável da sua função.

– Veja também: Os 5 passos para construir uma empresa saudável

Importância de compreender os colaboradores com autismo nas empresas

Um trabalhador que se encontra em um ambiente de trabalho saudável, respeitoso, justo, compreensivo e é reconhecido pelos seus esforços, é o seu melhor possível. O mesmo serve para pessoas que se enquadram como autistas.

Por fim, vale lembrar que o maior desafio do colaborador com TEA é a dificuldade em se expressar ou manejar uma interação comunicativa

Dessa forma, em um ambiente de trabalho compreensivo, o funcionário pode explorar meios alternativos de comunicação que possam minimizar as suas dificuldades sem que isso prejudique o exercício da sua atividade.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que pessoas no espectro autista podem apresentar diferentes ou menores necessidades sociais, elas também podem ter um envolvimento mais persistente no seu objeto ou atividade de fascínio, o que pode se traduzir em excepcionais habilidades ou conhecimentos sobre tal assunto ou ação.

As empresas também devem oferecer suporte aos colaboradores que cuidam de pessoas com TEA

Para os colaboradores que são responsáveis por pessoas com TEA, é importante que a empresa seja compreensiva

Afinal, podem existir compromissos com consultas médicas, multiterapias, realização de exames, além de períodos de ajuste de medicação para agitação ou agressividade. 

Por isso é tão importante conhecer melhor o TEA e suas particularidades, assim como oferecer um suporte adequado aos colaboradores que possuem alguma relação com o transtorno

Esperamos que, com esse material, você tenha mais conhecimento sobre o autismo nas empresas. Aproveite para compartilhar esse conhecimento com outras pessoas que também podem gostar do conteúdo!

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